Eu tenho medo de todo mundo que chega chegando. Sem pedir
licença. Sem avisar. Eu tenho medo porque essas são sempre as pessoas mais
encantadoras. Mais marcantes. Perigosíssimas, eu diria. Medo porque elas
raramente permanecem. Medo porque elas te mostram o céu e depois te abandonam
no inferno. Eu sou uma medrosa. Admito. Eu sou complicada demais. É que
quando eu gosto, eu gosto. Não nasci para ser metade, muito menos para ter
metade. Todo “até logo” é entendido como “adeus”. Todo “eu não sei” é
entendido como “não”. Gosto de gente direta, que diz o que pensa sem voltas,
sem rodeios. Tenho tanto amor guardado aqui dentro, sem utilidade. Sou
daquelas que luta por tudo, menos por pessoas. Simplesmente porque quem quiser
ficar, vai ficar. E quem quiser ir embora, vai. Não adianta implorar amor, se
ajoelhar, chorar, gritar, espernear, fazer drama, não adianta. O amor é
uma sementinha microscópica que as pessoas tem a péssima mania de plantar no
nosso coração. E para cada tipo de amor, uma semente diferente. Algumas delas
demoram tempos e tempos para enfim florescer. Mas florescem. Tarde demais? Bom,
eu prefiro acreditar que para o amor não existe tempo. Tudo acontece na hora
certa. Amor nenhum deve ser vivido de maneira prematura. Não se deve enganar,
manipular, iludir ou maltratar quem nos ama, até porque a gente nunca sabe se a
maldita — ou talvez bendita — sementinha que plantaram em nosso coração
florescerá um dia. O amor é um mistério.Talvez o mistério mais complicado de se
desvendar.
[Stephani Ignatti]
Nenhum comentário:
Postar um comentário