Em primeiro lugar, os homens devem ser amados por sua já
dita simplicidade. É ela que está por trás daquela capacidade nata de nos
irritar, quando estamos tagarelando sem parar a respeito de um problema que nos
parece indissolúvel e eles surgem com seu pensamento linear e seu cheiro de
masculinidade, nos apresentando uma solução tão óbvia, que nunca seria possível
termos pensado nela. Nessa hora, nós devemos amá-los com alívio e um sorriso,
por termos tal herói presente em nossas vidas e não começar a inventar agravantes
só para piorar o problema de propósito e a resposta dele não servir.
Os homens também devem ser amados por não conseguirem nos
entender. Porque, afinal de contas, nem a gente consegue, ora porras! Nossa
equação formada por hormônios, emoções, desejos e nojos é tão complicada, que
sentar no colo dos nossos queridos e ganhar um cafuné é o maior alívio do
mundo. Por sermos tão complexas, não nos custa nada tentar.
Também devemos amá-los por sua beleza. Não há nada mais belo
do que aqueles olhos de menino, por trás de um cenho franzido e uma barba por
fazer. Observe a beleza de seus gestos desajeitados, da gargalhada sem amarras,
do tesão constante e das preocupações tão sérias. Eles são lindos assim.
Devemos amar em silêncio. Não precisamos inventar o que dizer,
quando não há. Eles irão entender. E irão preferir. Prefira você um carinho, um
beijo. Um gesto de amor. Uma cerveja trazida da geladeira. Isso pode ser mais
eficiente do que qualquer discurso interminável sobre a tampa da privada
erguida.
Nós, como mulheres, devemos amá-los por nos proteger. Por
mais que você não queira, ele se sente responsável por você. Eles devem ser
amados enquanto levam horas para trocar uma lâmpada. Você o admira sentada no
banquinho, dizendo que não sabe o que faria sem ele e pensando que faria o
mesmo serviço em quinze minutos. Ame-os deixando que tentem consertar o
encanamento, abrindo o vidro de palmito e te ligando de cinco em cinco minutos,
para saber se você chegou bem em casa.
Devemos amá-los como eles são. E não pelo que poderão ser,
depois que os mudarmos. Porque não devemos mudá-los. São maravilhosos do jeito
que os conhecemos, ou não teríamos nos apaixonado. E se não são tão
maravilhosos assim ou aceitamos, ou deixamos seu caminho livre. É assim que se
ama uma pessoa.
E por fim, mas não menos importante: devemos amar o seu
amor. Suas palavras erradas, seus gestos brutos, suas reações exageradas, e até
seus desejos e vontades que não dizem respeito a nós mesmas. Não só porque é
exatamente assim que agem as pessoas profundamente apaixonadas, mas porque é
exatamente assim que nós mesmas somos.
Textos extratido do blog Memórias
da Pedra do Sapato.

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