Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus
sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético
Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano.
Que me desperte com um
beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me
diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas
não sou tu, e quero adoçar tua vida.
Preciso do teu beijo de mel na minha boca
de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de
solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não
era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o
próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do
outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente,
tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para
continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em
você que eu não conheço.
Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo.
Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que
inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso
amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas
palavras todas caírem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no
lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do
embuste: preciso de você para dizer EU TE AMO outra e outra vez. Como se fosse
possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.
Você não precisa trazer nada, só você mesmo. Você nem
precisa dizer alguma coisa no telefone. Basta ligar e eu fico ouvindo o seu
silêncio.
Mas eu preciso muito, muito de você.

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